
Toda semente carrega, na sua menor parte, a memória de um ecossistema inteiro. Ela não controla o futuro, ela o potencializa. E espera pelo encontro com o solo certo.
Esta é a curadoria inaugural da equipe do Sementes: um conjunto de iniciativas que já estão brotando em seus territórios — da inteligência artificial à ancestralidade, do mapeamento comunitário ao imaginário estético e político. O que une todas elas não é o tamanho, nem o setor, mas um gesto comum: devolver a criação dos futuros para quem habita o lugar.
Reunimos aqui sementes híbridas, onde o social, o ambiental e o cultural aparecem misturados, como costumam aparecer na vida real. Cada uma é uma resposta nascida de onde as pessoas vivem, trabalham e sonham. Tangíveis, portáteis, prontas para inspirar novos brotos em outros contextos.
Sejamos sementes e semeadores de futuros prósperos. O que te inspira? Quais virtudes e práticas você deseja ver florescer? Podemos cultivar - hoje - as atitudes e comportamentos necessários para a criação de outras realidades.
Convidamos você a explorar, esperançar e plantar a sua.
Crie sua semente. Semeie. Cultive. Veja brotar o novo.
Selvagem é uma organização não governamental que envolve um ciclo de estudos sobre a vida, o movimento indígena das Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos.
Desde 2018, Selvagem se dedica a estudar, compartilhar, registrar e apoiar saberes indígenas, compondo diálogos entre ciências e artes.
Tudo que Selvagem cria é disponibilizado gratuitamente.
Os estudos se desdobram em cadernos, audiovisuais, oficinas, conversas e exposições.
As ações se direcionam para apoiar as Escolas Vivas, centros indígenas de transmissão de conhecimentos tradicionais, garantindo o repasse de 10 mil reais mensais a cada escola e criando ações em conjunto. Todo esse movimento contribui para outros caminhos de educação, imaginando posturas regenerativas e não destrutivas de estar no mundo.
Através dessas ações, Selvagem articula uma constelação composta por uma diversidade de vozes e territórios, cultivando a continuidade e o aprofundamento nas relações.
Selvagem conta, ainda, com livros da Dantes Editora para aprofundar algumas temáticas.
Para tornar isso possível, também integram essa rede colaborativa uma série de apoiadores filantrópicos e parceiros institucionais.
Um supermercado participativo onde cada pessoa é dona, trabalhadora e consumidora, ao mesmo tempo! A ideia é diminuir os custos operacionais, acessibilizar o alimento saudável e criar oportunidades para pequenos produtores locais.
https://gomo.coop.br/
Trata-se de um projeto que capacita povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, quebradeiras de coco e comunidades tradicionais para que eles mesmos mapeiem suas próprias dinâmicas sociais, recursos e zonas de conflito. É a cartografia feita de dentro para fora, transformando mapas em instrumentos jurídicos e políticos contra o avanço do desmatamento e da grilagem.
Sistema de IA que prevê incêndios florestais com até 14 dias de antecedência e mais de 90% de precisão. Identifica causas e mede impactos ecológicos dos "eventos de fogo" na biodiversidade amazônica.Abrangência: Focado em toda a região da Amazônia Legal.
Centro de soluções regenerativas que atua com sistemas alimentares, reflorestamento e liderança para o desenvolvimento sustentável. É um exemplo de hub biorregional. Localizado na zona de amortecimento da Reserva Biológica do Tinguá, o Sinal do Vale foca na regeneração da Baixada Fluminense através de soluções "Climate Positive". Eles não apenas plantam árvores; eles testam modelos de economia circular, processamento de alimentos e educação de lideranças que podem ser escalados para outros territórios periféricos, regenerando a resiliência local.
Ferramenta lançada na COP30 em Belém que usa inteligência artificial e dados satelitais para mapear vulnerabilidades climáticas em todo o território brasileiro — de uma rua a uma bacia hidrográfica — e sugerir Soluções Baseadas na Natureza (telhados verdes, parques lineares, renaturalização de rios) para cada contexto. Primeira plataforma no Brasil a integrar mapeamento de riscos com recomendações práticas de adaptação, de acesso público e gratuito. O argumento é a regeneração da decisão pública: ao traduzir dados climáticos complexos em linguagem acionável para gestores municipais e cidadãos, a plataforma move a inteligência ambiental do laboratório para o campo da política local — onde as enchentes, secas e deslizamentos realmente acontecem.
É um movimento contracultural e estético-político que rejeita tanto o niilismo do colapso climático quanto o otimismo corporativo do capitalismo verde (greenwashing). Ele usa a ficção especulativa, a arquitetura biofílica, o design regenerativo e o "faça-você-mesmo" para materializar hoje visões de comunidades descentralizadas, movidas a energias renováveis, onde a tecnologia serve para harmonizar o metabolismo humano com os ciclos da biosfera.
Organização sem fins lucrativos que promove a certificação de "Empresas B". Ela articula um movimento global para que as empresas não busquem ser apenas as "melhores do mundo", mas as "melhores para o mundo". O argumento reside na regeneração institucional e jurídica. O Sistema B ataca a premissa da "Primalidade do Acionista" (Shareholder Primacy). Ao exigir que as empresas alterem seus estatutos sociais para incluir o benefício de todas as partes interessadas (trabalhadores, comunidade, ambiente) no mesmo nível do lucro, ele regenera a finalidade legal do negócio, transformando o capital de uma força puramente extrativista em uma ferramenta de impacto positivo sistêmico.
A Mattricaria é um ateliê-laboratório dedicado à pesquisa da flora tintorial brasileira. Seu trabalho nasce do encontro entre plantas, territórios e práticas artísticas, compreendendo a cor como um fenômeno vivo, situado e relacional — atravessado por ecossistemas, culturas, gestos e tempos.
O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como o maior país do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho como problema de saúde pública. O anúncio foi antecipado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sexta-feira (15), durante o programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov. A certificação oficial será entregue nesta semana, após visita ao país de representantes da OMS e do Unaids.
Segundo o ministro, o reconhecimento é resultado direto das políticas públicas consolidadas pelo Sistema Único de Saúde, especialmente a ampliação do pré-natal, a oferta de testes rápidos nas unidades básicas e o acesso gratuito à medicação para gestantes vivendo com HIV. Padilha destacou que o país superou um cenário histórico marcado por altas taxas de transmissão vertical e pela existência de abrigos para crianças que nasciam com HIV, realidade que hoje não se repete no Brasil.
Ainda durante a entrevista, o ministro apresentou outras iniciativas da pasta, como o Observatório Saúde de Apostas Eletrônicas, criado para enfrentar impactos das apostas na saúde mental. Entre as medidas, estão uma ferramenta no aplicativo Meu SUS Digital que permite bloquear contas em sites de apostas e a implantação de teleatendimento psicossocial, estratégia que, segundo o ministério, tem maior adesão por parte da população para tratar desse tipo de problema.